' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '

Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A liberdade de uma ave de rapina

A liberdade na escolha que me ofereces é tão vasta quanto a liberdade de uma ave de rapina domesticada. Ela pode voar, sentir que vai mais além, quando no fundo ela volta sempre a casa, onde sabe que tem comida e aconchego. Tenho liberdade entre escolher ficar ou ir, entre ter um pouco ou não ter nada. E eu penso. Ter uma parte de um todo não é ter nada de uma grande parte? Então na realidade só estou a abdicar de um pouco menos de nada, o que não é assim tanto. E eu não sou ambiciosa, e eu não sou orgulhosa, e eu não sou nada do que nos faz negros, porque não me consigo sentir assim para ti. Não quero mais do que me podes dar, mas não quero menos do que sinto que sou capaz, porque quando é de menos nunca corre bem e quando é demais, não vai muito além. Escolhi ir, não muito longe, mas ir. Não volto a casa esta noite, não vou pensar em ti. Sentir a liberdade sobre o meu pescoço, a pressão que se foi embora. Mas engano-me. Como não estou eu a pensar em ti? Eu sentir esta liberdade é pensar em ti, que me ofereceste uma escolha. Mas essa escolha leva-me a ti, o que faz com que a minha liberdade seja tão livre quanto a da ave de rapina. Tu libertaste-me mas quanto tempo até eu voltar a ti? No fundo não é a força de vontade que me irá fazer voar mais longe, no fundo serás tu que me poderás empurrar para sempre ou prender-te a ti, com anilhos de ferro. 

E no fundo, quantas vezes não estivemos nesta situação? Não te posso culpar. Deixei-me ser domesticada, pelo que disso tenho eu parte de culpa. A outra é a dos momentos, esses momentos que vão e vêm quando menos esperamos, apenas para nos deixar mais atordoados. Mas é melhor isto, do que nada sentir. 

domingo, 4 de março de 2012

Este caminho


Caminhamos lado a lado, olhos avessos e trapaceiros. Sentamo-nos em qualquer escada de areia feita com os sonhos que tinhamos e que temos. Se eles estão lá já não os vemos. A serenidade do final do dia, o sopro da brisa fresca que me acarinha o rosto enquanto contemplo o mar. E tu estás a meu lado, mas só que eu não te vejo. E a noite cai, pesada sobre o areal quente do sol. Atrai-me este contraste, entre o frio e o quente, o escuro e o claro. Eu e tu. Mas tu não estás aqui, mesmo que eu te traga comigo. Estás distante, dentro dessa barreira de que te cercaste. Edificas-te muros dos quais não te consegues separar ou afastar. Ser aquilo que todos pensam e que não custa é tão fácil. Dizer que és tanto ou coisa nenhuma apenas para que tudo se justifique não chega a compor a pequena película superfícial de que te cobres. Transpareces alguém mais rude do que és, porque custa tanto mais admitir que nos ferimos, que erramos e que custa remendar o passado. Custa ser doce quando a vida é tão dura a quem é mole. E no fundo tu estás cá, mas com a força de não quereres estar porque não é isso que pensas que queres para ti, desapareces, por debaixo deste luar que me alumia, noites sem fim. E eu descanso. Penso. Não queres sentir ou sequer pensar em sentimentos. Dói pois a rejeição, dói pois magoar aqueles que gostamos. Mas porquê esconder isso? Só se tivermos vergonha do erro, vergonha que podiamos ter feito melhor. E é nisso que penso enquanto o luar incide sobre o mar revolto, o quão dificil é estar aqui e não te sentir, porque essas barreiras são tão maiores que eu, porque a tua vontade é tão maior que eu, porque sou tão complacente com o que me dizes. E deâmbulo por estes grãos de areia que já te conheceram, onde gostava de contigo partilhar todo o mundo que eu vejo apenas por aqui estar. Mas não depende de mim, depende de tudo e de nada, depende do caminho, do momento, da conjugação de acontecimentos. E se aqui voltarmos um dia, talvez te conte tudo aquilo que pensei, porque terás superado todos esses bloqueios. Até lá mareio pelos lençois da vida, tantas vezes suaves como ásperos. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Contradições

É incrível tudo aquilo que podemos sentir em pouco mais de um minuto. Uma explosão de alegria incontrolada num sorriso irracional e descontrolado seguida do desapontamento da verdade escondida num ferimento aberto. 
Ter tudo e não ter nada, ter sonhos e desejos e não ter os abraços e os beijos. Tudo aquilo que podemos perder são as ilusões que criamos de um futuro desejado. No entanto é o frio de Janeiro que nos bate à porta com uma força incontrolável, que nos arrebata do nosso aconchego e nos faz tremer. Não é justo quando as coisas não são perfeitas, mas tudo o que bem se saboreia são aquelas pequenas conquistas que tanto custam. 
Seria injusto de minha parte querer alterar toda a ordem do universo para o meu interior acalmar, mas será então justo eu deflagrar tudo o que sinto porque o caminho é tão exaustivo...

Sonhar é tão bom, mas tem um pequeno inconveniente que é a chapada fria da realidade, quando alguém para nosso bem nos espeta com a verdade na nossa cara, os factos incontornáveis dos actos. Seria tão bom ultrapassar todos estes meandros, passar por de cima de todos os encontros e desencontros com a visão do final. Valerá a pena todo o esforço ou será apenas mais uma inútil tentativa de resgatar alguém do seu destino para virar à direita onde nós nos encontramos?

Não querendo responder a uma questão que a ninguém diz respeito, saio de cena com o pensamento perturbado. Hoje esta chapada fria fez-me sair da hipnose do meu sonho e lembrar-me que ainda estou a mais que muito longe do meu destino pretendido e que não me posso deixar embalar nesta suave melodia. 


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Feliz natal

Renego, na escuridão, qualquer movimento inútil ao momento. Sentir a palpitação, a lágrima que caiu do rosto. Não há mais aqui. O que querem de um alguém que por tudo lutou, mas na farsa do mundo que viveu, se esgotou? Definho, na luz, encurralada nestas paredes que se erguem à voz de todos vós. Dizem que devemos seguir por ali, virar à esquerda e subir a montanha, porque é depois da montanha que tudo saberá melhor. Quem são vocês para nos dizerem o que fazer? Quem vos fez para serem assim? À luz do que penso e na escuridão do meu sotão ergo-me contra o que me dizem que devo fazer, rasgo as roupas que me vestem e escrevo as palavras proíbidas. Censuram a nossa mente com programas de tv e comentários pouco ou muito pouco inteligentes. Moldam-nos o racicíonio com livros pré-escolhidos e com frases de globalização. Mas que garantias nos dá a globalização, senão a perca da individualidade e do que nos torna singulares. Para quê ser igual a tantos mais, que na sua demanda por mais perdem o menos? Porque querem eles serem como os demais, quando os demais são tão de menos? Mas é esse mundo que nos apresentam numa bandeja tão apetitosa como as montras de pastelaria, aliciando-nos com palavras de divisa e de amizade, quando no fundo quem fica à cabeceira da mesa leva o bolo, e os pratos, e as facas, e o vinho e as almas. Suporto o insopurtável quando o que quero mesmo é sair, fugir, gritar. Mas neste grito de inconformidade, resulta apenas a minha eterna vontade de isto tudo mudar, um pouco, não querendo ser demasiado audaz. Mas num mundo em que nem ao espelho as pessoas se entendem, como lhes explicar que a resposta está naquilo em que são diferentes e não no que são iguais? Que a busca pelo material nos afasta do espiritual e que somos feitos mais de espírito e menos de matéria. Mas porque me quero eu enganar? Os átomos que me compõem desmentem-me, e urgem-me nesta compra desenfreada de natal, em que o importante é a compra, acalmar o fulgo infernal da cor e do cheiro, provar o cimento, o vidro, o metal e o tecido, simplesmente porque é tão boa a possessão. E aí, talvez nos esqueçamos por alguns segundos que o amanhã se despe de toda a cor deste mundo, porque também a cor foi devorada neste natal, com a aniquilação do espírito de cada um. Feliz natal a preto e branco.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Da minha torre

Sento-me na janela da torre de onde te vigio, silenciosamente e coberta para que ninguém note. Espio-te quando corres por esses claustros, espio-te quando sorris a uma pessoa que por ti passa. És assim, simples e envolvente, não te preocupas em acarinhar demais, pois o que poderias temer? E a noite cai de onde te vigio, as luzes lá fora acendem. Desvio o olhar para as estrelas, a noite cai fria ou mesmo gelada por debaixo desse plano brilhante. Arrefeço na minha torre, enquanto te vejo ao longe, mergulhado em tudo o que tens, em tudo o que fazes e gostas. Contemplo o sorriso que de ti escapa e imagino como ele soa bem. Daqui de cima consigo contemplar tudo o que te rodeia e as escadas que me separam desse pátio crescem, empurrando-me cada vez mais longe. Será assim tão dificil quebrar todas estas barreiras que nos separam, será assim tão dificil ultrapassar os obstáculos, mesmo quando eles sorriem e sentem como nós? Só aqui nesta arcada, penso que sim. Cada vez que sinto o teu olhar em mim, uma parte de mim esconde-se, e não porque é um jogo, mas porque ao dar um passo em tua direcção, há um passo que me aproxima de outras pessoas da tua vida, e como posso eu olhá-las, quando em mim guardo algo como o que sinto? Penso em tudo o que faço e tudo o que posso magoar e quando o faço, é uma dor angustiante e sinto que não mereço nada do que tenho e por isso, prefiro ter o que tenho a ter mais e sentir-me assim. Mas a dor é inerente à conquista e à evolução, tudo é uma questão de perspectiva e persistência. No entanto, até que ponto devemos insistir quando há do outro lado algo tão semelhante a nós? Resta-me sentar na minha torre e olhar-te aqui de longe, esperar que um dia subas a escadaria e que me encontres, debaixo deste céu estrelado.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

saber o que sei

Saber o que sei, saber. Viver com isto em mim. Há dias assim. Há dias que imagino que nada do que sinto é real, porque estou longe ou porque simplesmente não penso nesse sentimento e tento que ele desfaleça, por falta de alimento. Esses dias são calmos, por vezes com um toque de cinza, porque a cor não resulta bem. Mas depois desses primeiros momentos, sinto-me bem. Não há maior alegria do que a de liberdade e este sentimento prende-me a ti e a um abismo, ao qual me recuso atirar. E quando tudo parece ir bem, porque ninguém pensa que algo que está moribundo consiga despertar tão rapidamente, assim vem ele, aquele sentimento que oculto, por vezes de mim mesma. É aquele olhar que às vezes sinto deslizar sobre mim sem que retribua. É aquele sorriso com os olhos a brilhar que me invade o coração, porque é entre mim e tu. Não sei se me ouves quando te digo mudamente que não quero que te vás. Mas tu ficas ou tentas ficar. Devolves-me o olhar com ternura, mas ao mesmo tempo vejo que te escondes. Tens que te esconder. Mas continuo com a mesma dúvida quanto aos motivos. Sentas-te a meu lado e parece que tudo pára. Tudo é tão fácil quando ali estás. Os sorrisos que não param, mesmo quando, alguém nos vê. E no fundo é isso que importa, é este bem-estar. Mas eu sei que o dia acaba e estou só, novamente. Não te vejo e nem te sinto, porque não dá para te sentir quando vivemos assim. Tocas-me a alma e eu sinto que também queres partilhar estes momentos comigo. Saber isto é o que me basta, por agora. Basta porque eu o vejo nos teus olhos e eles não mentem. Pelo menos, não os teus. E é na esperança que haverá um dia em que nos possamos abrir, que tudo aquilo que sonhamos se possa concretizar, que eu te espero, que eu te anseio e não páro de te sonhar. Porque mesmo assim dói, tanto por não te ter como por te querer.

sábado, 19 de novembro de 2011

Chove lá fora... e cá dentro

Chove incessantemente, chove e chove. Tentaria que não chovesse, se ao menos pudesse fazer com que parasse, sim, era isso. Mas como posso eu parar a chuva, se nem as lágrimas que oculto param de cair. E é disso que se trata, parar o que queremos, travar o que não queremos que nos inunde o nosso espaço, que corra para nós e nos espelhe o que temos, o que não temos e o que somos. O que tenho é tanto mas porque não me chega? E aquilo que não tenho porque não quero sequer olhar? Não está certo querer o que não podemos ter, para simplesmente dispensar o que podíamos, simplesmente porque podemos. Porque sinto que faço isso quando sei que o não devo fazer, quando não há motivos para o fazer, porque não sou quem deva, para isso fazer? Querer o que não podemos ter faz-nos fazer destas coisas. E lá fora chove, reflexo da minha alma, perdida na tristeza do abandono do ser, de ter tanto e não ter nada, só neste mundo de confusão e ilusão, em que o tudo é nada e o nada é tudo, onde a escala de som está invertida e distorcida, em que o normal é gritar quando se quer desabafar e falar doce quando se quer enganar. És a harmonia dos corações quando penso em ti, e sorrio no que penso porque o que penso é bom e tu havias de gostar. Nada de indiscreto, mas puro e do teu jeito. Mas tudo aquilo que nos separa é água, a água destas lágrimas que derramo, porque no meio de todo este incumprimento há outros que sofrem, tão silenciosamente quanto eu. E porque devo eu deixá-los sofrer, quando não é isso que tenciono? Era tão mais simples se nada disto tivesse acontecido, se naquela manhã que te vi, dos teus olhos não me tivesse apaixonado, talvez nunca estas palavras escrevesse, fosse a ti ou a alguém. Se o teu olhar no meu não tivesse tocado, talvez nada disto se tivesse passado. Mas como desejar que nada disto tivesse acontecido, se o que sinto é por ti tão bom e carinhoso? Não quero nada em troca, talvez. Leva-me as lágrimas de despeito, a dor de nada disto ser possível, apenas, porque não te conheci noutro tempo, com outro alento, com outro elenco. Desculpa-me por estas palavras, mas sem elas eu estaria só.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Palavras

Palavras raramente expressam aquilo que sentimos, mas por vezes quando o que menos queremos é dizer alto o que sentimos, as palavras escritas são a melhor solução.

As sombras da razão assolam o meu pensamento, agora que penso no que penso de ti. Diria que a razão levaria a melhor, caso não fosse o que fosse, caso não valesse a pena. Medo não é, mas respeito. O que se pode dizer de alguém que pensa o que eu penso de ti, mas ao mesmo tempo pensa em quem pensa em ti? Será que valerá a pena desfazer o que está feito, quando o benefício é incerto, quando o futuro é pintando a cinza e o caminho turvo como as águas paradas? Penso em ti e sinto paz. Como é que alguém tão humano pode fazer despertar algo tão bom e pacífico? Imagino, porque sou fértil nisso, como seria?, como faria?, mas invariavelmente os meus pensamentos morrem na parede do desconhecido, na incerteza desse pensamento tão impróprio e descabido. E de ti? O que chegará a ti? Será que os pensamentos inapropriados também descansam sobre o teu pensamento tranquilo na noite, que chega, invariavelmente com aquilo que menos queremos pensar? Nunca é fácil, admitir. Será que não admites porque é complicado demais ou porque não há nada a admitir? Será que te permites ter dúvidas quando no fundo não há motivo nenhum para sentires dúvidas sobre um futuro que há muito começaste a construir? A implicação dos destinos é tão intricada como bela. A beleza da casualidade e do acaso não deixam de ser tão misticamente acarinhados como destino. Será que é destino o meu fado arrastar-me para ti, repetidamente em histórias e coincidências de vida tão grandes como as que verificámos, no passado e agora? No fundo a razão é tendenciosa. Podemos pensar o que quisermos durante o tempo que quisermos sobre o que for, encaminhar as nossas intenções com as observações e fazer um quadro minimalista das diferenças e uma paisagem com o que nos aproxima. Poderia pintar um novo mundo se aplicasse tais regras ao que observo e gostaria de observar, mas se estou tão alertada para esta realidade, para quê afogar-me em ilusão, quando a decepção é tão mais forte que o sonho? Mas eu gosto de sonhar e orgulhosamente errada gosto de me considerar forte o suficiente para aguentar as decepções que a vida me traz. Valerás a pena esse mergulho sem ar, a chapada fria de Janeiro após uma palavra deslocada, a pontada no peito quando alguém perde as suas ilusões? Sim, acho que sim. És a humanidade que qualquer um procura, a alegria e responsabilidade que tão mal se dão e que tão bem sabem, o conforto do olhar quando por motivo algum e nenhum se cruza com o de outrem. É o teu sorriso que aquece aquelas noites frias e faz o olhar brilhar, quando pouco mais do que apenas as ilusões me restam para sonhar. És isso e muito mais, porque ainda não te descobri, apenas te vi, de relance, sobre aquele palco no qual todos actuamos. Quero te ver muito mais, apesar dos panos da cortina da vida estarem puxados e apenas te ver de relance nos poucos segundos que a vida nos permite olhar para o lado. O quão nos podemos querer é algo que não posso pensar, quando me afasto de ti a velocidades sobre-humanas, quando vejo as luzes da estrada passar e o céu mudar de cor. O tecto do meu sonho é o universo, será que também ele é o teu? Os tremores da terra fazem-te vibrar como o meu âmago treme, cada dia, cada momento em que penso no além e no aqui, no agora e a toda a hora? Querer mais e mais, apesar de ter ainda tão pouco, sempre pouco e sempre tanto. Anseio viver tanto quanto amar, a ti ou aquele que me permitir tocar, sentir, ou apenas chegar perto. Será que tens essa vida dentro de ti, o além-mar maior que o sentimento de impotência, de ignorância, vontade de ficar, não sair e ficar, como um dia conseguimos chegar? Vem comigo, pintar o caminho que um dia ousei contigo sonhar e, viver, para lá do que qualquer um de nós pôde imaginar.

Não. Na realidade não. Porque a razão toma a minha acção e sobre o sonho repouso, contigo no pensamento até ao dia que acordar, e me recordar que não vale a pena sonhar se da tela do sonho não transpuser para a realidade e que não passaste de cor num mundo tão meu, de noite, vivência e maravilhar. Não sou quem queria ser para te ter, mas ao mesmo tempo não quero ser quem teria que ser para o fazer. E quero mais ser quem sou do que ser quem teria que ser para te viver. Não quero forçar o amar quando tão pouco existe, e do querer não devemos forçar o ter. Mas como resistir, quando em teus olhos revejo os meus, quando naqueles instantes em que só os dois vivemos há um sorriso perdido na multidão, um entreolhar que apenas nós trocamos, sem que ninguém mais o partilhe? O teu calor rodeia o meu ser, quando com palavras tão simples consegues colocar a tua ternura e num toque da tua mão me chegas a tua essência, beleza invisível mas tão essencial. Esquecer eu não posso, pois está além do que consigo humanamente ser. E tendo noção de tudo o que implica a razão e o dever, devo não dizer o que penso em voz alta, com pena de no ridiculamente real não existir este sonho e de com o meu sonho arruinar o sonho de outrem. Mas conseguirei eu evitar o teu olhar, quando o meu, ele procurar? Conseguirei não ir em direcção a ti quando os teus passos de mim se aproximarem? Negarei com o meu ser o teu sorriso quando a mim for dirigido e conseguirei transferir tudo o que sinto para um olhar sem expressão, para do que já trocámos, qualquer ideia se dissipar de que é na áurea do que vivemos que fui feliz? Tentarei… nem que de mil palavras me desfaça, por não te ter.