Caminhei.
O tempo trouxe-me de volta.
À terra molhada e ao sopro da noite fresca,
ao sussurro da cigarra e ao ranger das folhas nos ramos.
A estrada está imunda, o caminho cheio de buracos.
Caminho e percebo, que o tempo aqui parou.
As ruas são as mesmas,
apenas o luar as enfeitiça com o seu doce toque.
Os cheiros, no entanto, desapareceram
foram saindo com as pessoas.
Este lugar está vazio,
de calor, de luz e de brilho,
mas as memórias são tantas, que por cada ruela que caminho
lá está ela, a espreitar,
e mais outra ao virar.
Talvez eu não esteja só neste lugar,
ou talvez este lugar não me deixe só.
Procuro em cada casa um olhar,
que me relembre o que já foi este lugar.
Redobro a esquina que tantas vezes me viu passar
quieta e serena como só ela,
só que eu ao passar, talvez por apego,
me apressei em demasia
e num tropeçar lanzeiro,
me fui ao chão de ligeiro.
Sorri.
Como o tempo é trapaçeiro.
Por mais incapaz de voltar atrás,
os eventos vão-se repetindo tão somente para nos relembrar,
de que por mais voltas que dermos,
somos eternamente seus prisioneiros.
Regressei.
Caminhando, regressei.
Por esta estrada fui caminhando e regressei.