Renego, na escuridão, qualquer movimento inútil ao momento. Sentir a palpitação, a lágrima que caiu do rosto. Não há mais aqui. O que querem de um alguém que por tudo lutou, mas na farsa do mundo que viveu, se esgotou? Definho, na luz, encurralada nestas paredes que se erguem à voz de todos vós. Dizem que devemos seguir por ali, virar à esquerda e subir a montanha, porque é depois da montanha que tudo saberá melhor. Quem são vocês para nos dizerem o que fazer? Quem vos fez para serem assim? À luz do que penso e na escuridão do meu sotão ergo-me contra o que me dizem que devo fazer, rasgo as roupas que me vestem e escrevo as palavras proíbidas. Censuram a nossa mente com programas de tv e comentários pouco ou muito pouco inteligentes. Moldam-nos o racicíonio com livros pré-escolhidos e com frases de globalização. Mas que garantias nos dá a globalização, senão a perca da individualidade e do que nos torna singulares. Para quê ser igual a tantos mais, que na sua demanda por mais perdem o menos? Porque querem eles serem como os demais, quando os demais são tão de menos? Mas é esse mundo que nos apresentam numa bandeja tão apetitosa como as montras de pastelaria, aliciando-nos com palavras de divisa e de amizade, quando no fundo quem fica à cabeceira da mesa leva o bolo, e os pratos, e as facas, e o vinho e as almas. Suporto o insopurtável quando o que quero mesmo é sair, fugir, gritar. Mas neste grito de inconformidade, resulta apenas a minha eterna vontade de isto tudo mudar, um pouco, não querendo ser demasiado audaz. Mas num mundo em que nem ao espelho as pessoas se entendem, como lhes explicar que a resposta está naquilo em que são diferentes e não no que são iguais? Que a busca pelo material nos afasta do espiritual e que somos feitos mais de espírito e menos de matéria. Mas porque me quero eu enganar? Os átomos que me compõem desmentem-me, e urgem-me nesta compra desenfreada de natal, em que o importante é a compra, acalmar o fulgo infernal da cor e do cheiro, provar o cimento, o vidro, o metal e o tecido, simplesmente porque é tão boa a possessão. E aí, talvez nos esqueçamos por alguns segundos que o amanhã se despe de toda a cor deste mundo, porque também a cor foi devorada neste natal, com a aniquilação do espírito de cada um. Feliz natal a preto e branco.
Quando o lado humano descontroladamente toma conta do que escrevo e o sangue pulsa até o momento passar... é aí que o paleio sem senso ocorre, mas sempre num momento sensível
' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '
Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Da minha torre
Sento-me na janela da torre de onde te vigio, silenciosamente e coberta para que ninguém note. Espio-te quando corres por esses claustros, espio-te quando sorris a uma pessoa que por ti passa. És assim, simples e envolvente, não te preocupas em acarinhar demais, pois o que poderias temer? E a noite cai de onde te vigio, as luzes lá fora acendem. Desvio o olhar para as estrelas, a noite cai fria ou mesmo gelada por debaixo desse plano brilhante. Arrefeço na minha torre, enquanto te vejo ao longe, mergulhado em tudo o que tens, em tudo o que fazes e gostas. Contemplo o sorriso que de ti escapa e imagino como ele soa bem. Daqui de cima consigo contemplar tudo o que te rodeia e as escadas que me separam desse pátio crescem, empurrando-me cada vez mais longe. Será assim tão dificil quebrar todas estas barreiras que nos separam, será assim tão dificil ultrapassar os obstáculos, mesmo quando eles sorriem e sentem como nós? Só aqui nesta arcada, penso que sim. Cada vez que sinto o teu olhar em mim, uma parte de mim esconde-se, e não porque é um jogo, mas porque ao dar um passo em tua direcção, há um passo que me aproxima de outras pessoas da tua vida, e como posso eu olhá-las, quando em mim guardo algo como o que sinto? Penso em tudo o que faço e tudo o que posso magoar e quando o faço, é uma dor angustiante e sinto que não mereço nada do que tenho e por isso, prefiro ter o que tenho a ter mais e sentir-me assim. Mas a dor é inerente à conquista e à evolução, tudo é uma questão de perspectiva e persistência. No entanto, até que ponto devemos insistir quando há do outro lado algo tão semelhante a nós? Resta-me sentar na minha torre e olhar-te aqui de longe, esperar que um dia subas a escadaria e que me encontres, debaixo deste céu estrelado.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
saber o que sei
Saber o que sei, saber. Viver com isto em mim. Há dias assim. Há dias que imagino que nada do que sinto é real, porque estou longe ou porque simplesmente não penso nesse sentimento e tento que ele desfaleça, por falta de alimento. Esses dias são calmos, por vezes com um toque de cinza, porque a cor não resulta bem. Mas depois desses primeiros momentos, sinto-me bem. Não há maior alegria do que a de liberdade e este sentimento prende-me a ti e a um abismo, ao qual me recuso atirar. E quando tudo parece ir bem, porque ninguém pensa que algo que está moribundo consiga despertar tão rapidamente, assim vem ele, aquele sentimento que oculto, por vezes de mim mesma. É aquele olhar que às vezes sinto deslizar sobre mim sem que retribua. É aquele sorriso com os olhos a brilhar que me invade o coração, porque é entre mim e tu. Não sei se me ouves quando te digo mudamente que não quero que te vás. Mas tu ficas ou tentas ficar. Devolves-me o olhar com ternura, mas ao mesmo tempo vejo que te escondes. Tens que te esconder. Mas continuo com a mesma dúvida quanto aos motivos. Sentas-te a meu lado e parece que tudo pára. Tudo é tão fácil quando ali estás. Os sorrisos que não param, mesmo quando, alguém nos vê. E no fundo é isso que importa, é este bem-estar. Mas eu sei que o dia acaba e estou só, novamente. Não te vejo e nem te sinto, porque não dá para te sentir quando vivemos assim. Tocas-me a alma e eu sinto que também queres partilhar estes momentos comigo. Saber isto é o que me basta, por agora. Basta porque eu o vejo nos teus olhos e eles não mentem. Pelo menos, não os teus. E é na esperança que haverá um dia em que nos possamos abrir, que tudo aquilo que sonhamos se possa concretizar, que eu te espero, que eu te anseio e não páro de te sonhar. Porque mesmo assim dói, tanto por não te ter como por te querer.
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