Quando o lado humano descontroladamente toma conta do que escrevo e o sangue pulsa até o momento passar... é aí que o paleio sem senso ocorre, mas sempre num momento sensível
' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '
Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
e a sensibilidade está de folga
O desenfreamento da alma só é forte quando esta se encontra perturbada... é aí que o paleio sem senso se torna irremediávelmente activo, ansioso e palpitante. Quando a alma tranquiliza, o paleio sem senso acalma e por isso fica de folga. Se por um lado é uma pena, por outro é bom sinal. Namasté.
sábado, 16 de junho de 2012
O que fazer?
As palavras fogem-me quando te alcanço, aquele momento tão raro de encontrar. Faz pouco que aprendeste a esquiva, a forma deliciosa de nos desviarmos do caminho traçado para evitar a confrontação. E quando me dás esse espaço, falho, impossibilitada de dizer o que realmente quero.
E porquê esta falta de continuidade? Como uma falha, parece que se acumula tensão e só de quando em vez existe alguma acção, um sorriso inesperado, uma troca de olhares que diz muito mais do que o simples olhar. Fora disso, parece que caminho desprotegida pela antártida, sem saber se caminho na direcção correcta. O que fazer... o que fazer? Às vezes pergunto-me se valerá toda esta ansiedade, todo este desespero amainado... e nem sempre sei responder a esta questão, porque não há qualquer regularidade no que vivemos... só há picos de qualquer coisa que não sei definir num pano de nada, onde me queres, simplesmente porque não queres sentir nada. Talvez seguir em frente nunca tenha sido tão apelativo como agora... afinal, só é bom enquanto nos faz felizes.
domingo, 20 de maio de 2012
a nossa dança
Minto se desminto que é mentira que não suspiro por cada olhar teu, cada toque no meu corpo que estremece na tua presença. Este corridinho que dançamos não me aquieta a vontade, de te ter, mesmo ter, nem que por alguns momentos.
Mas seguimos, trocamos de par. Danço com outro, mas não sei para quem danço, se para ele ou se para ti. Não sei o que me motiva cada movimento, mas se fecho olhos vejo-te a ti. Sempre a ti. Mas danço com ele e rodamos e bailamos, e voltamos a rodar. E a música segue e voltamos a trocar de par.
Enquanto rodopio por esta sala, estico-me a cada canto para te ver. Será que voltaremos a trocar de par, voltaremos a dançar, sem voltar a trocar? Aprecio esta dança, que me faz sentir viva e sentida, expressar-me corporalmente, enquanto tudo à minha volta gira e rodopia. E a cada canto tu estás lá. Rodopiando com o teu par, apenas para voltar a trocar, sem olhar para trás. Mas tu voltas a olhar para mim, só que não me vens buscar para dançar. Vais rodando e bailando com cada par teu, incentivando-me a bailar com um par meu, e apenas para deslizarmos lado a lado, quase tocando-nos sem tocar, quando voltamos a girar para nos afastarmos. E esta dança continua, assistindo o meu pulsar, enquanto espero pelo próximo trocar.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A estrada
Percorro esta estrada que nos contém.
Sou apenas uma das que se move, neste deâmbulo humano constante, desta procura incessante de tudo e de um pouco de nada.
Estamos tão longe, ainda que na mesma estrada. Não te vejo. Nem ao longe. Não sei de ti, não sei o que queres e nem que sentido tomaste. Não sei se vais sair na próxima saída e retomar a marcha em sentido oposto, o sentido que te leva a mim ou se irás continuar sem eu nunca te encontrar.
Carrego no acelerador, mas logo refreio a velocidade. Não posso ir mais rápido, pois irá parecer uma emboscada. Não posso ir mais rápido pois se me despistar, o impacto terá tal violência que posso não me compor desse acidente. Por isso tenho que afrouxar a marcha. Tenho que manter esta velocidade constante e segura. E não sei se me aproximo ou se tornas a dianteira desta marcha cada vez mais distante. Não sei se vais abrandar para me apanhar ou se vais acelerar sem eu nunca mais te ver. Ainda que estejamos na mesma estrada. Se saires da estrada, eu também não saberei. Pelo menos enquanto eu nesta estrada me mantiver, à espera de te encontrar à vista do meu pára-brisas, bem perto do meu rodado.
Deverei acelerar um pouco mais, um nadinha mais, apenas para aumentar as probabilidades de te apanhar ou para diminuir o tempo de te encontrar? Ou deverei afrouxar até à marcha lenta e fazer sinal de saída desta estrada e tomar outro rumo? Não é fácil decidir quando duas pessoas vão na mesma estrada mas tão distantes como se estivessem em estradas distintas. E a dúvida tudo atenua e ao mesmo tempo nada esclarece. Duvido mas continuo o meu caminho, pois esta estrada a algum lugar me vai levar...
Esperemos que seja a ti!
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Chegada a Primavera...
Sorris.
O relógio toca. As pessoas cruzam o escritório, a hora de prestar serviço chegou. E no meio da algazarra, tu sorris. Ninguém vê. Eu toco-te no braço, o simples gesto de que somos cúmplices debaixo do olhar atarefado dos que nos rodeiam.
Penso que está tudo bem, mas quando chega a manhã seguinte tu já não estás. Sigo qualquer pista que me diga o que se passa, mas invariavelmente não há vestígio do que se passou. Não há nada mais do que aquele momento e mesmo aquele momento, dizes ser apenas fortuito. E o meu olhar denuncia-me. Sigo-te onde vais, questiono pouco ou nada as decisões, pois erro ao confiar plenamente que as tomas de forma deliberada, evitando o caminho tortuoso do desconforto. Impulsos que te motivam, escondem ou fazem parte daqueles momentos? Serão eles assim tão despidos de conteúdo? E eu volto a atender ao meu entendimento de que há mais para ver e que devo pacientemente aguardar pelo florescer da alma, quando a razão não mais toma as rédeas do pensamento e o sentimento brota. Mas a primavera tarda a chegar neste ano, e temo que passe directamente ao verão tórrido, em que a inflamação da carne nebula o sentido crítico do discernimento e conduz ao colpaso da razão. Leio tão mais em nós, nas entrelinhas das histórias de que somos feitos e nos sentimentos que geramos perante situações tão idênticas, nas decisões tomadas e nas por tomar. A diferença é abismal, mas tão só para confirmar que a atracção é penetrativa ao nível do átomo. Mas eu volto ao meu mundo só. Faço círculos com o meu indicador na base do meu computador ou no ecrã do meu android enquanto espero por aquela mensagem que vai mudar o dia. Mas fico à espera indeterminadamente, testando todo o meu ser ao nível da estruturação humana, da minha condição como adulto formado com ideias e pontos de vista. Isto mexe comigo, e faz-me amadurecer e faz-me pensar sobre tudo o que já tinha pensado ou mesmo do que ainda nem ideia tinha.
Isto tudo.
No quase nada.
Simplesmente porque nos tornámos cúmplices.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
A liberdade de uma ave de rapina
A liberdade na escolha que me ofereces é tão vasta quanto a liberdade de uma ave de rapina domesticada. Ela pode voar, sentir que vai mais além, quando no fundo ela volta sempre a casa, onde sabe que tem comida e aconchego. Tenho liberdade entre escolher ficar ou ir, entre ter um pouco ou não ter nada. E eu penso. Ter uma parte de um todo não é ter nada de uma grande parte? Então na realidade só estou a abdicar de um pouco menos de nada, o que não é assim tanto. E eu não sou ambiciosa, e eu não sou orgulhosa, e eu não sou nada do que nos faz negros, porque não me consigo sentir assim para ti. Não quero mais do que me podes dar, mas não quero menos do que sinto que sou capaz, porque quando é de menos nunca corre bem e quando é demais, não vai muito além. Escolhi ir, não muito longe, mas ir. Não volto a casa esta noite, não vou pensar em ti. Sentir a liberdade sobre o meu pescoço, a pressão que se foi embora. Mas engano-me. Como não estou eu a pensar em ti? Eu sentir esta liberdade é pensar em ti, que me ofereceste uma escolha. Mas essa escolha leva-me a ti, o que faz com que a minha liberdade seja tão livre quanto a da ave de rapina. Tu libertaste-me mas quanto tempo até eu voltar a ti? No fundo não é a força de vontade que me irá fazer voar mais longe, no fundo serás tu que me poderás empurrar para sempre ou prender-te a ti, com anilhos de ferro.
E no fundo, quantas vezes não estivemos nesta situação? Não te posso culpar. Deixei-me ser domesticada, pelo que disso tenho eu parte de culpa. A outra é a dos momentos, esses momentos que vão e vêm quando menos esperamos, apenas para nos deixar mais atordoados. Mas é melhor isto, do que nada sentir.
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domingo, 4 de março de 2012
Este caminho
Caminhamos lado a lado, olhos avessos e trapaceiros. Sentamo-nos em qualquer escada de areia feita com os sonhos que tinhamos e que temos. Se eles estão lá já não os vemos. A serenidade do final do dia, o sopro da brisa fresca que me acarinha o rosto enquanto contemplo o mar. E tu estás a meu lado, mas só que eu não te vejo. E a noite cai, pesada sobre o areal quente do sol. Atrai-me este contraste, entre o frio e o quente, o escuro e o claro. Eu e tu. Mas tu não estás aqui, mesmo que eu te traga comigo. Estás distante, dentro dessa barreira de que te cercaste. Edificas-te muros dos quais não te consegues separar ou afastar. Ser aquilo que todos pensam e que não custa é tão fácil. Dizer que és tanto ou coisa nenhuma apenas para que tudo se justifique não chega a compor a pequena película superfícial de que te cobres. Transpareces alguém mais rude do que és, porque custa tanto mais admitir que nos ferimos, que erramos e que custa remendar o passado. Custa ser doce quando a vida é tão dura a quem é mole. E no fundo tu estás cá, mas com a força de não quereres estar porque não é isso que pensas que queres para ti, desapareces, por debaixo deste luar que me alumia, noites sem fim. E eu descanso. Penso. Não queres sentir ou sequer pensar em sentimentos. Dói pois a rejeição, dói pois magoar aqueles que gostamos. Mas porquê esconder isso? Só se tivermos vergonha do erro, vergonha que podiamos ter feito melhor. E é nisso que penso enquanto o luar incide sobre o mar revolto, o quão dificil é estar aqui e não te sentir, porque essas barreiras são tão maiores que eu, porque a tua vontade é tão maior que eu, porque sou tão complacente com o que me dizes. E deâmbulo por estes grãos de areia que já te conheceram, onde gostava de contigo partilhar todo o mundo que eu vejo apenas por aqui estar. Mas não depende de mim, depende de tudo e de nada, depende do caminho, do momento, da conjugação de acontecimentos. E se aqui voltarmos um dia, talvez te conte tudo aquilo que pensei, porque terás superado todos esses bloqueios. Até lá mareio pelos lençois da vida, tantas vezes suaves como ásperos.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Contradições
É incrível tudo aquilo que podemos sentir em pouco mais de um minuto. Uma explosão de alegria incontrolada num sorriso irracional e descontrolado seguida do desapontamento da verdade escondida num ferimento aberto.
Ter tudo e não ter nada, ter sonhos e desejos e não ter os abraços e os beijos. Tudo aquilo que podemos perder são as ilusões que criamos de um futuro desejado. No entanto é o frio de Janeiro que nos bate à porta com uma força incontrolável, que nos arrebata do nosso aconchego e nos faz tremer. Não é justo quando as coisas não são perfeitas, mas tudo o que bem se saboreia são aquelas pequenas conquistas que tanto custam.
Seria injusto de minha parte querer alterar toda a ordem do universo para o meu interior acalmar, mas será então justo eu deflagrar tudo o que sinto porque o caminho é tão exaustivo...
Sonhar é tão bom, mas tem um pequeno inconveniente que é a chapada fria da realidade, quando alguém para nosso bem nos espeta com a verdade na nossa cara, os factos incontornáveis dos actos. Seria tão bom ultrapassar todos estes meandros, passar por de cima de todos os encontros e desencontros com a visão do final. Valerá a pena todo o esforço ou será apenas mais uma inútil tentativa de resgatar alguém do seu destino para virar à direita onde nós nos encontramos?
Não querendo responder a uma questão que a ninguém diz respeito, saio de cena com o pensamento perturbado. Hoje esta chapada fria fez-me sair da hipnose do meu sonho e lembrar-me que ainda estou a mais que muito longe do meu destino pretendido e que não me posso deixar embalar nesta suave melodia.
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