' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '

Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sentidos

Estaremos realmente sós?!
Estaremos inevitavelmente seguros?
Haverá apenas uma resposta?
Onde reside a dúvida?

O mundo estremece. Os ruídos da vida eterna. A energia flui pelo solo, tentando alcançar tudo sem parar. O mundo estremece.

Suspiros. Devaneios da noite passada. Do dia presente. Suspiros do amanhã. Suspiros perdidos no tempo. A pressa de viver o tempo. A pressa de dominar o tempo... Suspiros.

O transe. Alcançar o Eu, a pesquisa interior. O sentido. A paz. A energia a fluir dos músculos, pelos nervos, à pele, ao cabelo, à orelha e de volta ao cérebro. A sensação. A busca de sensações. O transe. 

O toque suave. O beijo ao de leve. O aperto na mão. O contacto. O batimento cardíaco. A vida. A busca dos sentidos. O aroma súbtil, o paladar amargo, a visão futura, o susurro... O toque suave. 

Onde reside a dúvida?
Haverá apenas uma resposta?
Estaremos inevitavelmente seguros?
Estaremos realmente sós?!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Raro

Imagino um obstáculo. Imagino a transpor-me um obstáculo. Imagino o que há para lá do obstáculo.
Imagino.
Sento-me à beira do precipício. Espreito para lá do precipício. Sinto a brisa fresca que vem do precipício.
Precipito-me.
Raro é o momento. É o momento raro. O momento é raro. Raro.
Desfaleço. Des_faleço. Não faleço mais. Deixei de estar falecida. Renasci. Re_nasci. Voltei a nascer. Já era nascida. Já era viva. Viva.
Vivo, precipitando-me na imaginação do raro.



domingo, 8 de junho de 2014

I do believe in magic... but where are you?

Costumo pensar que a música é a banda sonora da minha vida. Gosto de me perder a pensar que histórias podem ser vividas (ou já foram) com determinada música, que música se adequava naquele momento e quando os Coldplay lançaram este single, não poderia ser mais apropriado coloca-lo aqui, partilhando com ela os meus pensamentos. Magic.
Call it magic
Call it true
I call it magic
When I'm with you
And I just got broken
Broken into two
Still I call it magic
When I'm next to you
And I don't, and I don't
And I don't, and I don't
No, I don't, it's true
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
Want anybody else but you
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
No, I don't, it's true
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
Want anybody else but you
Ooh ooh ooh
Call it magic
Cut me into two
And with all your magic
I disappear from view
And I can't get over
Can't get over you
Still I call it magic
Such a precious jewel
And I don't, and I don't
And I don't, and I don't
No, I don't, it's true
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
Want anybody else but you
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
No, I don't, it's true
I don't no, I don't no
I don't no, I don't
Want anybody else but you
Want to fall, fall so far
I want to fall, fall so hard
And I call it magic
And I call it true
I call it magic
Ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh
Ooh ooh ooh
And if you were to ask me
After all that we've been through
Still believe in magic?
Oh yes I do
Oh yes I do
Yes I do
Oh yes I do
Of course I do

sábado, 7 de junho de 2014

Tempo

Trapaçeiro
Assim é este tempo etéreo.
Gélido
em toda a sua plenitude. 
Umas vezes doce.
Umas vezes amargo.
Quem de si depende,
depreende nele não uma necessidade
mas uma prisão.
Inquieto,
mas em si pleno.
Sádico,
o arquitecto da marioneta. 
Umas vezes dependente.
Umas vezes veemente.
Quem não o vê,
denota uma ausência,
a vida a esvair-se.


domingo, 18 de maio de 2014

Tu nem vinhas nos meus planos

Hoje, após uma noite curta de sono, só me vem esta canção à cabeça.
Partilho.




Olha lá,
Já se passaram alguns anos
Nem sequer vinhas nos meus planos
Saiste-me a sorte grande
E eu cá vou
Gozando os louros deste achado
Contigo de braço dado para todo o lado
Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Meu amor na roda da lotaria
Que é coisa escorregadia
Saiste-me a sorte grande
E eu cá vou
À minha sorte abandonado
Contigo de braço dado para todo o lado
Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Olha lá,
Por mais que passem os anos
Por menos que eu faça planos
Sais me sempre a sorte grande
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti
________________________
Do bom que se faz por aí, não esquecendo que a língua portuguesa é linda!

domingo, 11 de maio de 2014

o Clique!


Emergindo pela primeira vez, a sensação de renascer das cinzas torna-nos mais tolerantes e ao mesmo tempo sensíveis. A olhares. A palavras. A sensações.
É raro, mergulhados nas nossas esferas de sentimentos, ilusões e desejos, apercebermo-nos de determinados detalhes. Muitas vezes deixamos escapar perfeitos momentos, que podiam ter ocorrido, não estivessemos tão imiscuídos do envolvente. 
Mas quando somos resgatados da monotonia da vivência, quando somos tocados por um desses momentos, há algo que inevitavelmente se altera. O Clique! Algo dentro de nós desfragmenta-se, inevitavelmente, por não sabermos como reagir ao impulso de nos deixarmos no limbo, apreciando esse momento.
O clique pode ocorrer com uma visão, com um som ou sussurro. Uma voz. Uma vibração. Sós ou acompanhados. A dois ou numa multidão. Não importa. Apenas temos que estar fora de nós mesmos, prontos para o receber. 
Sorrisos. Sim. Sorrisos podem despertar esse momento perfeito. A simplicidade. O desconversar completamente inócuo, mas que de tão ligeiro se torna tão puro e inocente. E os sorrisos emersos da inocência são da maior perfeição possível.
Quando passamos por momentos assim, não há como ficar igual. Toca-nos profundamente, altera-nos. Remexe com o que pensávamos, com as nossas ideias preconcebidas. E o que fazer a seguir?
Essa é a pergunta que nunca queremos responder. Deveria ser imediata a reacção. Abraçar para sempre esse momento, não deixá-lo escapar. 
Mas como sempre, vivemos neste faz de conta, rodeados por renda e alecrim, fazendo casas de brincar e criando histórias a todo o momento, entretidos do tédio visceral que é o diário. E nesses momentos, muitas vezes, refugiamo-nos nesse conforto ou nessa ideia de conforto, que é o vazio. E, refugiados, vemos, muitas vezes, aqueles momentos perfeitos escaparem. Invariavelmente perdendo-se... no infinito da memória.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Regressei

Caminhei.
O tempo trouxe-me de volta.
À terra molhada e ao sopro da noite fresca,
ao sussurro da cigarra e ao ranger das folhas nos ramos.
A estrada está imunda, o caminho cheio de buracos.
Caminho e percebo, que o tempo aqui parou.
As ruas são as mesmas,
apenas o luar as enfeitiça com o seu doce toque.
Os cheiros, no entanto, desapareceram
foram saindo com as pessoas.
Este lugar está vazio,
de calor, de luz e de brilho,
mas as memórias são tantas, que por cada ruela que caminho
lá está ela, a espreitar,
e mais outra ao virar.

Talvez eu não esteja só neste lugar,
ou talvez este lugar não me deixe só.
Procuro em cada casa um olhar,
que me relembre o que já foi este lugar.
Redobro a esquina que tantas vezes me viu passar
quieta e serena como só ela,
só que eu ao passar, talvez por apego,
me apressei em demasia
e num tropeçar lanzeiro,
me fui ao chão de ligeiro.
Sorri.
Como o tempo é trapaçeiro.
Por mais incapaz de voltar atrás,
os eventos vão-se repetindo tão somente para nos relembrar,
de que por mais voltas que dermos,
somos eternamente seus prisioneiros.

Regressei.
Caminhando, regressei.
Por esta estrada fui caminhando e regressei.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Solidão

Custa sempre. Pelo menos por agora.
É corrosivo.
Não me abandona.

O tempo escorre. Oiço os segundos a passar.

Passam.

Ainda está a custar. Pelo menos por agora.
É intenso.
Não se apaga.

Os lugares mudam. Vejo os cenários a mudar.

Mudam.

Mas tudo está igual. O sentimento perdura.
Será que é o tempo ou o lugar,
ou serei refém de mim assim?

Assim,

Só,

Um lugar e um tempo que não pássa e não muda.