Saber o que sei, saber. Viver com isto em mim. Há dias assim. Há dias que imagino que nada do que sinto é real, porque estou longe ou porque simplesmente não penso nesse sentimento e tento que ele desfaleça, por falta de alimento. Esses dias são calmos, por vezes com um toque de cinza, porque a cor não resulta bem. Mas depois desses primeiros momentos, sinto-me bem. Não há maior alegria do que a de liberdade e este sentimento prende-me a ti e a um abismo, ao qual me recuso atirar. E quando tudo parece ir bem, porque ninguém pensa que algo que está moribundo consiga despertar tão rapidamente, assim vem ele, aquele sentimento que oculto, por vezes de mim mesma. É aquele olhar que às vezes sinto deslizar sobre mim sem que retribua. É aquele sorriso com os olhos a brilhar que me invade o coração, porque é entre mim e tu. Não sei se me ouves quando te digo mudamente que não quero que te vás. Mas tu ficas ou tentas ficar. Devolves-me o olhar com ternura, mas ao mesmo tempo vejo que te escondes. Tens que te esconder. Mas continuo com a mesma dúvida quanto aos motivos. Sentas-te a meu lado e parece que tudo pára. Tudo é tão fácil quando ali estás. Os sorrisos que não param, mesmo quando, alguém nos vê. E no fundo é isso que importa, é este bem-estar. Mas eu sei que o dia acaba e estou só, novamente. Não te vejo e nem te sinto, porque não dá para te sentir quando vivemos assim. Tocas-me a alma e eu sinto que também queres partilhar estes momentos comigo. Saber isto é o que me basta, por agora. Basta porque eu o vejo nos teus olhos e eles não mentem. Pelo menos, não os teus. E é na esperança que haverá um dia em que nos possamos abrir, que tudo aquilo que sonhamos se possa concretizar, que eu te espero, que eu te anseio e não páro de te sonhar. Porque mesmo assim dói, tanto por não te ter como por te querer.

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