Sento-me na janela da torre de onde te vigio, silenciosamente e coberta para que ninguém note. Espio-te quando corres por esses claustros, espio-te quando sorris a uma pessoa que por ti passa. És assim, simples e envolvente, não te preocupas em acarinhar demais, pois o que poderias temer? E a noite cai de onde te vigio, as luzes lá fora acendem. Desvio o olhar para as estrelas, a noite cai fria ou mesmo gelada por debaixo desse plano brilhante. Arrefeço na minha torre, enquanto te vejo ao longe, mergulhado em tudo o que tens, em tudo o que fazes e gostas. Contemplo o sorriso que de ti escapa e imagino como ele soa bem. Daqui de cima consigo contemplar tudo o que te rodeia e as escadas que me separam desse pátio crescem, empurrando-me cada vez mais longe. Será assim tão dificil quebrar todas estas barreiras que nos separam, será assim tão dificil ultrapassar os obstáculos, mesmo quando eles sorriem e sentem como nós? Só aqui nesta arcada, penso que sim. Cada vez que sinto o teu olhar em mim, uma parte de mim esconde-se, e não porque é um jogo, mas porque ao dar um passo em tua direcção, há um passo que me aproxima de outras pessoas da tua vida, e como posso eu olhá-las, quando em mim guardo algo como o que sinto? Penso em tudo o que faço e tudo o que posso magoar e quando o faço, é uma dor angustiante e sinto que não mereço nada do que tenho e por isso, prefiro ter o que tenho a ter mais e sentir-me assim. Mas a dor é inerente à conquista e à evolução, tudo é uma questão de perspectiva e persistência. No entanto, até que ponto devemos insistir quando há do outro lado algo tão semelhante a nós? Resta-me sentar na minha torre e olhar-te aqui de longe, esperar que um dia subas a escadaria e que me encontres, debaixo deste céu estrelado.
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