' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '

Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo

domingo, 20 de maio de 2012

a nossa dança

Minto se desminto que é mentira que não suspiro por cada olhar teu, cada toque no meu corpo que estremece na tua presença. Este corridinho que dançamos não me aquieta a vontade, de te ter, mesmo ter, nem que por alguns momentos. 
Mas seguimos, trocamos de par. Danço com outro, mas não sei para quem danço, se para ele ou se para ti. Não sei o que me motiva cada movimento, mas se fecho olhos vejo-te a ti. Sempre a ti. Mas danço com ele e rodamos e bailamos, e voltamos a rodar. E a música segue e voltamos a trocar de par. 
Enquanto rodopio por esta sala, estico-me a cada canto para te ver. Será que voltaremos a trocar de par, voltaremos a dançar, sem voltar a trocar? Aprecio esta dança, que me faz sentir viva e sentida, expressar-me corporalmente, enquanto tudo à minha volta gira e rodopia. E a cada canto tu estás lá. Rodopiando com o teu par, apenas para voltar a trocar, sem olhar para trás. Mas tu voltas a olhar para mim, só que não me vens buscar para dançar. Vais rodando e bailando com cada par teu, incentivando-me a bailar com um par meu, e apenas para deslizarmos lado a lado, quase tocando-nos sem tocar, quando voltamos a girar para nos afastarmos. E esta dança continua, assistindo o meu pulsar, enquanto espero pelo próximo trocar. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A estrada

Percorro esta estrada que nos contém. 
Sou apenas uma das que se move, neste deâmbulo humano constante, desta procura incessante de tudo e de um pouco de nada. 
Estamos tão longe, ainda que na mesma estrada. Não te vejo. Nem ao longe. Não sei de ti, não sei o que queres e nem que sentido tomaste. Não sei se vais sair na próxima saída e retomar a marcha em sentido oposto, o sentido que te leva a mim ou se irás continuar sem eu nunca te encontrar. 
Carrego no acelerador, mas logo refreio a velocidade. Não posso ir mais rápido, pois irá parecer uma emboscada. Não posso ir mais rápido pois se me despistar, o impacto terá tal violência que posso não me compor desse acidente. Por isso tenho que afrouxar a marcha. Tenho que manter esta velocidade constante e segura. E não sei se me aproximo ou se tornas a dianteira desta marcha cada vez mais distante. Não sei se vais abrandar para me apanhar ou se vais acelerar sem eu nunca mais te ver. Ainda que estejamos na mesma estrada. Se saires da estrada, eu também não saberei. Pelo menos enquanto eu nesta estrada me mantiver, à espera de te encontrar à vista do meu pára-brisas, bem perto do meu rodado. 
Deverei acelerar um pouco mais, um nadinha mais, apenas para aumentar as probabilidades de te apanhar ou para diminuir o tempo de te encontrar? Ou deverei afrouxar até à marcha lenta e fazer sinal de saída desta estrada e tomar outro rumo? Não é fácil decidir quando duas pessoas vão na mesma estrada mas tão distantes como se estivessem em estradas distintas. E a dúvida tudo atenua e ao mesmo tempo nada esclarece. Duvido mas continuo o meu caminho, pois esta estrada a algum lugar me vai levar...
Esperemos que seja a ti!


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Chegada a Primavera...

Sorris. 
O relógio toca. As pessoas cruzam o escritório, a hora de prestar serviço chegou. E no meio da algazarra, tu sorris. Ninguém vê. Eu toco-te no braço, o simples gesto de que somos cúmplices debaixo do olhar atarefado dos que nos rodeiam. 
Penso que está tudo bem, mas quando chega a manhã seguinte tu já não estás. Sigo qualquer pista que me diga o que se passa, mas invariavelmente não há vestígio do que se passou. Não há nada mais do que aquele momento e mesmo aquele momento, dizes ser apenas fortuito. E o meu olhar denuncia-me. Sigo-te onde vais, questiono pouco ou nada as decisões, pois erro ao confiar plenamente que as tomas de forma deliberada, evitando o caminho tortuoso do desconforto. Impulsos que te motivam, escondem ou fazem parte daqueles momentos? Serão eles assim tão despidos de conteúdo? E eu volto a atender ao meu entendimento de que há mais para ver e que devo pacientemente aguardar pelo florescer da alma, quando a razão não mais toma as rédeas do pensamento e o sentimento brota. Mas a primavera tarda a chegar neste ano, e temo que passe directamente ao verão tórrido, em que a inflamação da carne nebula o sentido crítico do discernimento e conduz ao colpaso da razão. Leio tão mais em nós, nas entrelinhas das histórias de que somos feitos e nos sentimentos que geramos perante situações tão idênticas, nas decisões tomadas e nas por tomar. A diferença é abismal, mas tão só para confirmar que a atracção é penetrativa ao nível do átomo. Mas eu volto ao meu mundo só. Faço círculos com o meu indicador na base do meu computador ou no ecrã do meu android enquanto espero por aquela mensagem que vai mudar o dia. Mas fico à espera indeterminadamente, testando todo o meu ser ao nível da estruturação humana, da minha condição como adulto formado com ideias e pontos de vista. Isto mexe comigo, e faz-me amadurecer e faz-me pensar sobre tudo o que já tinha pensado ou mesmo do que ainda nem ideia tinha. 
Isto tudo.
No quase nada.
Simplesmente porque nos tornámos cúmplices.