Trapaçeiro
Assim é este tempo etéreo.
Gélido
em toda a sua plenitude.
Umas vezes doce.
Umas vezes amargo.
Quem de si depende,
depreende nele não uma necessidade
mas uma prisão.
Inquieto,
mas em si pleno.
Sádico,
o arquitecto da marioneta.
Umas vezes dependente.
Umas vezes veemente.
Quem não o vê,
denota uma ausência,
a vida a esvair-se.
Quando o lado humano descontroladamente toma conta do que escrevo e o sangue pulsa até o momento passar... é aí que o paleio sem senso ocorre, mas sempre num momento sensível
' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '
Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo
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sábado, 7 de junho de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Regressei
Caminhei.
O tempo trouxe-me de volta.
À terra molhada e ao sopro da noite fresca,
ao sussurro da cigarra e ao ranger das folhas nos ramos.
A estrada está imunda, o caminho cheio de buracos.
Caminho e percebo, que o tempo aqui parou.
As ruas são as mesmas,
apenas o luar as enfeitiça com o seu doce toque.
Os cheiros, no entanto, desapareceram
foram saindo com as pessoas.
Este lugar está vazio,
de calor, de luz e de brilho,
mas as memórias são tantas, que por cada ruela que caminho
lá está ela, a espreitar,
e mais outra ao virar.
Talvez eu não esteja só neste lugar,
ou talvez este lugar não me deixe só.
Procuro em cada casa um olhar,
que me relembre o que já foi este lugar.
Redobro a esquina que tantas vezes me viu passar
quieta e serena como só ela,
só que eu ao passar, talvez por apego,
me apressei em demasia
e num tropeçar lanzeiro,
me fui ao chão de ligeiro.
Sorri.
Como o tempo é trapaçeiro.
Por mais incapaz de voltar atrás,
os eventos vão-se repetindo tão somente para nos relembrar,
de que por mais voltas que dermos,
somos eternamente seus prisioneiros.
Regressei.
Caminhando, regressei.
Por esta estrada fui caminhando e regressei.
O tempo trouxe-me de volta.
À terra molhada e ao sopro da noite fresca,
ao sussurro da cigarra e ao ranger das folhas nos ramos.
A estrada está imunda, o caminho cheio de buracos.
Caminho e percebo, que o tempo aqui parou.
As ruas são as mesmas,
apenas o luar as enfeitiça com o seu doce toque.
Os cheiros, no entanto, desapareceram
foram saindo com as pessoas.
Este lugar está vazio,
de calor, de luz e de brilho,
mas as memórias são tantas, que por cada ruela que caminho
lá está ela, a espreitar,
e mais outra ao virar.
Talvez eu não esteja só neste lugar,
ou talvez este lugar não me deixe só.
Procuro em cada casa um olhar,
que me relembre o que já foi este lugar.
Redobro a esquina que tantas vezes me viu passar
quieta e serena como só ela,
só que eu ao passar, talvez por apego,
me apressei em demasia
e num tropeçar lanzeiro,
me fui ao chão de ligeiro.
Sorri.
Como o tempo é trapaçeiro.
Por mais incapaz de voltar atrás,
os eventos vão-se repetindo tão somente para nos relembrar,
de que por mais voltas que dermos,
somos eternamente seus prisioneiros.
Regressei.
Caminhando, regressei.
Por esta estrada fui caminhando e regressei.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
o Tempo
Já vi passar o tempo.
Já o senti.
Já o tive nas mãos, adorando-o, aproveitando-o como mais nada.
Já o perdi.
Já tive necessidade de o buscar, ter mais e mais e não o ter.
Já me cansei dele.
Já chorei por ele, perdida em si e sem saber como o agarrar.
Nada é fácil no que diz respeito ao tempo. Ora o há demais, ora o há de menos.
Não me lembro de ter tempo a mais. Já foi há tanto tempo. E no entanto, nem foi assim tanto. Mas tanto passou entre esse tempo e o de agora que a intensidade dos eventos me conduz a este saudosismo.
Tanto tempo.
Tão pouco tempo.
Há quem veja as horas passar numa imensidão de tempo. Perdidos em cada segundo que demora a passar.
Por outro lado, há quem perde todos os segundos, não os vendo por nada.
E no meio de tanto tempo que passa, o tempo passa.
Esta sensação ambígua, quase dolorosa, de que não o temos de nenhuma forma.
E no fundo o tempo já passou, no imediato segundo em que temos consciência dele, pois quando pensamos no agora ele já foi. E assim ele continua, fugaz como só ele, escapando a qualquer tipo de controle por parte de quem seja.
Deixá-lo ser assim, fugaz.
Deixar-nos ser assim, frágeis.
Tempo, tempo, tempo...
Já o senti.
Já o tive nas mãos, adorando-o, aproveitando-o como mais nada.
Já o perdi.
Já tive necessidade de o buscar, ter mais e mais e não o ter.
Já me cansei dele.
Já chorei por ele, perdida em si e sem saber como o agarrar.
Nada é fácil no que diz respeito ao tempo. Ora o há demais, ora o há de menos.
Não me lembro de ter tempo a mais. Já foi há tanto tempo. E no entanto, nem foi assim tanto. Mas tanto passou entre esse tempo e o de agora que a intensidade dos eventos me conduz a este saudosismo.
Tanto tempo.
Tão pouco tempo.
Há quem veja as horas passar numa imensidão de tempo. Perdidos em cada segundo que demora a passar.
Por outro lado, há quem perde todos os segundos, não os vendo por nada.
E no meio de tanto tempo que passa, o tempo passa.
Esta sensação ambígua, quase dolorosa, de que não o temos de nenhuma forma.
E no fundo o tempo já passou, no imediato segundo em que temos consciência dele, pois quando pensamos no agora ele já foi. E assim ele continua, fugaz como só ele, escapando a qualquer tipo de controle por parte de quem seja.
Deixá-lo ser assim, fugaz.
Deixar-nos ser assim, frágeis.
Tempo, tempo, tempo...
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
É tempo para questionar
Onde será que isto nos leva? Este comboio fora dos trilhos, desvairado pelos caminhos passados e com o vapor a baixa produção... se escolher o caminho é exaustivo, dar-lhe forma e consistência deixa-nos sem forças para muito mais. E quando tudo é estímulo, tudo é merecedor da nossa atenção, quando há tanto que viver e tão pouco tempo para o fazer, não é fácil dar continuidade, padecer e levar a bom porto o que se iniciou. E onde será que isto nos leva? Nunca saberemos antecipadamente com segurança esta resposta. Mas o que sabemos é que se não tentarmos nunca saberemos, nunca teremos o sabor agri-doce da vida na nossa boca.
Deixando-me agora descansar... volto a perguntar: Onde será que isto me leva?
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Viagem numa névoa de fumo
Espessa e convoluta, rodeia-me esta névoa de fumo,
ora agressiva ora doce, envolvente apenas, estonteante até. O tempo pára.
Sinto a tua respiração, ofegante do cigarro fumado.
O tempo pára.
O tempo pára.
O mundo gira à nossa volta, os risos habituais, as
conversas que não oiço porque não consigo ouvir nada mais. O tempo parou.
Sorris, sorrio, sorrimos um pouco de cada vez, ora
hesitantes ora ousados, sorris, sorrio, sorrimos um pouco mais. O tempo parou.
Os dados rolam, vão rolando e roçagando-se no tapete
usado de tantas vezes jogado, um passado e presente, tão próximos e tão
íntimos, mas intocáveis ainda assim. Rolam e não deixam de rolar, mas não os
vejo. Foi um ou dois, foram dez ou vinte? Não sei, não vi. O tempo parou, mas
não deixou de rolar; o movimento dos dados é tão relativo quanto o tempo. Para
mim deixou de contar, lá fora continuou a rolar. Rolou ou não? O que importa?
Para mim não rodaram e nem o tempo passou. Fiquei lá, assim, pasmada.
Sinto o fresco da noite, refresca-me a pele. Só
agora notei que é noite. É noite ou dia? Nem me tinha indagado com tal. O que
importa?, pensei eu. Nada!, pois. Noite ou dia, manhã ou tarde, tempo é tempo e
se eu não o vejo, não importa se é noite ou dia, manhã ou tarde. Estou aqui,
envolta nesta espessa e convoluta névoa de fumo, perdida no tempo e num lugar.
Estou aqui. Também não importa onde. Encontrei este lugar e aqui quero ficar.
Não o conheço bem, não sei o que é, não lhe conheço os cantos, mas sei que aqui
dentro estou num sítio mágico... Aqui eu sinto-me bem. Mesmo envolvida nesta
fumaça é como se ela não existisse. Ela existe sim. Faz parte deste lugar, que
é bom. É quente. Quente não, é bom. Ele desmultiplica-se, encolhe e expande.
Volta-se a encolher e a expandir e fica frio de repente, mas eu estou bem aqui.
É quase como se me sentisse em casa, é confortável e tranquilo. Mas expande e
encolhe tão rápido, não vejo, e dou por mim enrolada a um canto, perdida nestes
cantos, pergunto-me onde estou. Estou bem aqui?, indago.
Volto a mim. Perdi-me no teu olhar. Estava aqui
distraída, sem dar conta do tempo ou do lugar, que até me perdi no teu olhar,
viajei pelas ondas de cor, pelos nervos sensoriais e cheguei a algum sítio que
gostei, onde me senti em casa. Mas esse lugar é ansioso e não gosta de
estranhos, é frio e quente, é confortável e inesperado.
De repente, todo o som, todo o tempo, todo o lugar,
tudo me alcança exasperadamente. Um turbilhão de agressões, uma multitude de
sensações, tudo me alcança exasperadamente. Olho à volta e já nada está ali.
Nem os sorrisos, nem o conforto daquele lugar ou a névoa espessa que me envolve
deliciosamente num transe por um mundo só teu, onde qualquer estranho é
impedido de entrar, excepto, talvez, por raros instantes, em momentos como
este, em que o tempo pára, de tão bem que nos sentimos assim, ingénuos. O tempo
voltou, oiço claramente as conversas alheias, o roçagar dos vestidos nas
pernas, o bater dos sapatos na madeira velha do chão. A televisão pisca e incendeia-me
os ouvidos de som, as luzes dos candeeiros encadeiam-me a visão. O teu olhar
perdeu-se no meio de alguma coisa, voltaste a ficar ausente. Despedimo-nos
assim, como em tantas noites, envoltos em mistério e magia, mas sós,
completamente sós.
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