Percorro esta estrada que nos contém.
Sou apenas uma das que se move, neste deâmbulo humano constante, desta procura incessante de tudo e de um pouco de nada.
Estamos tão longe, ainda que na mesma estrada. Não te vejo. Nem ao longe. Não sei de ti, não sei o que queres e nem que sentido tomaste. Não sei se vais sair na próxima saída e retomar a marcha em sentido oposto, o sentido que te leva a mim ou se irás continuar sem eu nunca te encontrar.
Carrego no acelerador, mas logo refreio a velocidade. Não posso ir mais rápido, pois irá parecer uma emboscada. Não posso ir mais rápido pois se me despistar, o impacto terá tal violência que posso não me compor desse acidente. Por isso tenho que afrouxar a marcha. Tenho que manter esta velocidade constante e segura. E não sei se me aproximo ou se tornas a dianteira desta marcha cada vez mais distante. Não sei se vais abrandar para me apanhar ou se vais acelerar sem eu nunca mais te ver. Ainda que estejamos na mesma estrada. Se saires da estrada, eu também não saberei. Pelo menos enquanto eu nesta estrada me mantiver, à espera de te encontrar à vista do meu pára-brisas, bem perto do meu rodado.
Deverei acelerar um pouco mais, um nadinha mais, apenas para aumentar as probabilidades de te apanhar ou para diminuir o tempo de te encontrar? Ou deverei afrouxar até à marcha lenta e fazer sinal de saída desta estrada e tomar outro rumo? Não é fácil decidir quando duas pessoas vão na mesma estrada mas tão distantes como se estivessem em estradas distintas. E a dúvida tudo atenua e ao mesmo tempo nada esclarece. Duvido mas continuo o meu caminho, pois esta estrada a algum lugar me vai levar...
Esperemos que seja a ti!

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