' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '

Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Chegada a Primavera...

Sorris. 
O relógio toca. As pessoas cruzam o escritório, a hora de prestar serviço chegou. E no meio da algazarra, tu sorris. Ninguém vê. Eu toco-te no braço, o simples gesto de que somos cúmplices debaixo do olhar atarefado dos que nos rodeiam. 
Penso que está tudo bem, mas quando chega a manhã seguinte tu já não estás. Sigo qualquer pista que me diga o que se passa, mas invariavelmente não há vestígio do que se passou. Não há nada mais do que aquele momento e mesmo aquele momento, dizes ser apenas fortuito. E o meu olhar denuncia-me. Sigo-te onde vais, questiono pouco ou nada as decisões, pois erro ao confiar plenamente que as tomas de forma deliberada, evitando o caminho tortuoso do desconforto. Impulsos que te motivam, escondem ou fazem parte daqueles momentos? Serão eles assim tão despidos de conteúdo? E eu volto a atender ao meu entendimento de que há mais para ver e que devo pacientemente aguardar pelo florescer da alma, quando a razão não mais toma as rédeas do pensamento e o sentimento brota. Mas a primavera tarda a chegar neste ano, e temo que passe directamente ao verão tórrido, em que a inflamação da carne nebula o sentido crítico do discernimento e conduz ao colpaso da razão. Leio tão mais em nós, nas entrelinhas das histórias de que somos feitos e nos sentimentos que geramos perante situações tão idênticas, nas decisões tomadas e nas por tomar. A diferença é abismal, mas tão só para confirmar que a atracção é penetrativa ao nível do átomo. Mas eu volto ao meu mundo só. Faço círculos com o meu indicador na base do meu computador ou no ecrã do meu android enquanto espero por aquela mensagem que vai mudar o dia. Mas fico à espera indeterminadamente, testando todo o meu ser ao nível da estruturação humana, da minha condição como adulto formado com ideias e pontos de vista. Isto mexe comigo, e faz-me amadurecer e faz-me pensar sobre tudo o que já tinha pensado ou mesmo do que ainda nem ideia tinha. 
Isto tudo.
No quase nada.
Simplesmente porque nos tornámos cúmplices. 



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