' sozinhos não eramos mais do que vento a roçar o solo despido de qualquer graça '

Sejam bem vindos a este cantinho, a estas páginas de sentimentalismo

domingo, 18 de maio de 2014

Tu nem vinhas nos meus planos

Hoje, após uma noite curta de sono, só me vem esta canção à cabeça.
Partilho.




Olha lá,
Já se passaram alguns anos
Nem sequer vinhas nos meus planos
Saiste-me a sorte grande
E eu cá vou
Gozando os louros deste achado
Contigo de braço dado para todo o lado
Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Meu amor na roda da lotaria
Que é coisa escorregadia
Saiste-me a sorte grande
E eu cá vou
À minha sorte abandonado
Contigo de braço dado para todo o lado
Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Olha lá,
Por mais que passem os anos
Por menos que eu faça planos
Sais me sempre a sorte grande
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti
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Do bom que se faz por aí, não esquecendo que a língua portuguesa é linda!

domingo, 11 de maio de 2014

o Clique!


Emergindo pela primeira vez, a sensação de renascer das cinzas torna-nos mais tolerantes e ao mesmo tempo sensíveis. A olhares. A palavras. A sensações.
É raro, mergulhados nas nossas esferas de sentimentos, ilusões e desejos, apercebermo-nos de determinados detalhes. Muitas vezes deixamos escapar perfeitos momentos, que podiam ter ocorrido, não estivessemos tão imiscuídos do envolvente. 
Mas quando somos resgatados da monotonia da vivência, quando somos tocados por um desses momentos, há algo que inevitavelmente se altera. O Clique! Algo dentro de nós desfragmenta-se, inevitavelmente, por não sabermos como reagir ao impulso de nos deixarmos no limbo, apreciando esse momento.
O clique pode ocorrer com uma visão, com um som ou sussurro. Uma voz. Uma vibração. Sós ou acompanhados. A dois ou numa multidão. Não importa. Apenas temos que estar fora de nós mesmos, prontos para o receber. 
Sorrisos. Sim. Sorrisos podem despertar esse momento perfeito. A simplicidade. O desconversar completamente inócuo, mas que de tão ligeiro se torna tão puro e inocente. E os sorrisos emersos da inocência são da maior perfeição possível.
Quando passamos por momentos assim, não há como ficar igual. Toca-nos profundamente, altera-nos. Remexe com o que pensávamos, com as nossas ideias preconcebidas. E o que fazer a seguir?
Essa é a pergunta que nunca queremos responder. Deveria ser imediata a reacção. Abraçar para sempre esse momento, não deixá-lo escapar. 
Mas como sempre, vivemos neste faz de conta, rodeados por renda e alecrim, fazendo casas de brincar e criando histórias a todo o momento, entretidos do tédio visceral que é o diário. E nesses momentos, muitas vezes, refugiamo-nos nesse conforto ou nessa ideia de conforto, que é o vazio. E, refugiados, vemos, muitas vezes, aqueles momentos perfeitos escaparem. Invariavelmente perdendo-se... no infinito da memória.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Regressei

Caminhei.
O tempo trouxe-me de volta.
À terra molhada e ao sopro da noite fresca,
ao sussurro da cigarra e ao ranger das folhas nos ramos.
A estrada está imunda, o caminho cheio de buracos.
Caminho e percebo, que o tempo aqui parou.
As ruas são as mesmas,
apenas o luar as enfeitiça com o seu doce toque.
Os cheiros, no entanto, desapareceram
foram saindo com as pessoas.
Este lugar está vazio,
de calor, de luz e de brilho,
mas as memórias são tantas, que por cada ruela que caminho
lá está ela, a espreitar,
e mais outra ao virar.

Talvez eu não esteja só neste lugar,
ou talvez este lugar não me deixe só.
Procuro em cada casa um olhar,
que me relembre o que já foi este lugar.
Redobro a esquina que tantas vezes me viu passar
quieta e serena como só ela,
só que eu ao passar, talvez por apego,
me apressei em demasia
e num tropeçar lanzeiro,
me fui ao chão de ligeiro.
Sorri.
Como o tempo é trapaçeiro.
Por mais incapaz de voltar atrás,
os eventos vão-se repetindo tão somente para nos relembrar,
de que por mais voltas que dermos,
somos eternamente seus prisioneiros.

Regressei.
Caminhando, regressei.
Por esta estrada fui caminhando e regressei.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Solidão

Custa sempre. Pelo menos por agora.
É corrosivo.
Não me abandona.

O tempo escorre. Oiço os segundos a passar.

Passam.

Ainda está a custar. Pelo menos por agora.
É intenso.
Não se apaga.

Os lugares mudam. Vejo os cenários a mudar.

Mudam.

Mas tudo está igual. O sentimento perdura.
Será que é o tempo ou o lugar,
ou serei refém de mim assim?

Assim,

Só,

Um lugar e um tempo que não pássa e não muda.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

fendas aqui e acolá

Revejo-me nas paredes desta casa em ruínas; a cada fractura foi sobreposto gesso, na esperança de tapar qualquer fragmento, esconder a fragilidade. Tapando aqui, tapando ali, surge o dia que por mais que se tente, já não se chega a todas as fendas a tempo de as tapar, e uma a uma elas voltam a abrir. Umas mais fundas que outras, mas presentes...sempre presentes...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

o Tempo

Já vi passar o tempo.
Já o senti.
Já o tive nas mãos, adorando-o, aproveitando-o como mais nada.
Já o perdi.
Já tive necessidade de o buscar, ter mais e mais e não o ter.
Já me cansei dele.
Já chorei por ele, perdida em si e sem saber como o agarrar.
Nada é fácil no que diz respeito ao tempo. Ora o há demais, ora o há de menos.
Não me lembro de ter tempo a mais. Já foi há tanto tempo. E no entanto, nem foi assim tanto. Mas tanto passou entre esse tempo e o de agora que a intensidade dos eventos me conduz a este saudosismo. 
Tanto tempo.
Tão pouco tempo.
Há quem veja as horas passar numa imensidão de tempo. Perdidos em cada segundo que demora a passar.
Por outro lado, há quem perde todos os segundos, não os vendo por nada.
E no meio de tanto tempo que passa, o tempo passa. 
Esta sensação ambígua, quase dolorosa, de que não o temos de nenhuma forma.
E no fundo o tempo já passou, no imediato segundo em que temos consciência dele, pois quando pensamos no agora ele já foi. E assim ele continua, fugaz como só ele, escapando a qualquer tipo de controle por parte de quem seja. 
Deixá-lo ser assim, fugaz.
Deixar-nos ser assim, frágeis.
Tempo, tempo, tempo... 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

É tempo para questionar

Onde será que isto nos leva? Este comboio fora dos trilhos, desvairado pelos caminhos passados e com o vapor a baixa produção... se escolher o caminho é exaustivo, dar-lhe forma e consistência deixa-nos sem forças para muito mais. E quando tudo é estímulo, tudo é merecedor da nossa atenção, quando há tanto que viver e tão pouco tempo para o fazer, não é fácil dar continuidade, padecer e levar a bom porto o que se iniciou. E onde será que isto nos leva? Nunca saberemos antecipadamente com segurança esta resposta. Mas o que sabemos é que se não tentarmos nunca saberemos, nunca teremos o sabor agri-doce da vida na nossa boca.
Deixando-me agora descansar... volto a perguntar: Onde será que isto me leva?


terça-feira, 10 de setembro de 2013

A paixão

Apaixonamo-nos por palavras. Apaixonamo-nos por ideias. As palavras são fáceis de domar, moldáveis ao próprio pensamento. As ideias são características, são pouco nítidas e facilmente incorporadas em variados contextos. Palavras e ideias, não é preciso mais. Há palavras que chamam mais à atenção. Há palavras, apenas e somente determinadas palavras, que quando proferidas num determinado momento, assemelhando-se a uma dada ideia, se tornam numa paixão. Nada concebido. Nada premeditado. Mas no fundo tão concebido e tão premeditado como a paixão acesa por essa palavra e ideia, que são tão gerais quanto particulares, mas nunca verdadeiramente genuínas ao momento em causa. É uma predisposição de se ouvir o que se quer. E assim, mesmo não podendo contrariar, somos vítimas da nossa auto-adoração, de valorizar tão somente aquilo que já gostamos, não dando o verdadeiro espaço para algo novo e único. Apaixonemo-nos então.